O senador Eduardo Girão (Novo-CE) acusa a Comunicação do Senado de censura após a TV Senado não exibir coletiva sobre o caso Banco Master e a representação contra Davi Alcolumbre. Ele planeja acionar a Justiça.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) fez um pronunciamento forte no Plenário nesta segunda-feira, 23, acusando a Comunicação do Senado de censura. O motivo central da sua crítica foi a decisão da TV Senado de não exibir uma entrevista coletiva de integrantes do Partido Novo, na qual foram abordados temas sensíveis à gestão da Casa.
Durante a coletiva não transmitida, o grupo de parlamentares questionou a demora na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso Banco Master e informou sobre o envio de uma representação ao Conselho de Ética contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Girão classificou a decisão como censura e anunciou que acionará a Justiça em busca de reparação.
A coletiva não exibida e as críticas
No centro da controvérsia está uma coletiva de imprensa que, segundo Girão, foi ignorada pela emissora oficial. O senador detalhou os tópicos abordados no evento, que incluíam temas de grande relevância institucional.
“Entramos com uma coletiva de imprensa questionando a não prorrogação da CPMI do INSS e a não instalação da CPI ou CPMI do Banco Master e falando que estávamos entrando (o Partido Novo, vários parlamentares aqui) contra o presidente Davi Alcolumbre no Conselho de Ética, por omissão institucional e por abuso de suas prerrogativas, como presidente, para não fazer impeachment de ministros [do STF]. Isso é arrasar com o moral de senadores.”
A declaração de Girão, conforme divulgado pela Agência Senado, aponta para uma série de descontentamentos do Partido Novo com a condução dos trabalhos no Senado, especialmente no que tange à fiscalização e responsabilização de autoridades.
Justificativa da tv senado e a resposta do senador
De acordo com o senador do Novo, a TV Senado justificou a não transmissão da coletiva alegando que se tratava de uma atividade político-partidária, e não de uma atividade legislativa. Girão, no entanto, refuta veementemente essa alegação.
Ele argumentou que outras entrevistas concedidas por ele nos corredores do Senado foram exibidas sem problemas pela mesma emissora. “Todas as coletivas que nós fizemos ali na Presidência do Senado, sem exceção, foram transmitidas, e essa não”, destacou o parlamentar.
Para Girão, a recusa em exibir a coletiva, dada a natureza de seu conteúdo — que inclui uma representação formal contra o presidente da Casa — configura uma clara censura à liberdade de expressão parlamentar e ao direito à informação pública.
Próximos passos: ação na justiça
Diante do que considera uma violação de seus direitos e da transparência, o senador Eduardo Girão anunciou que não ficará inerte. Ele pretende levar o caso à Justiça, buscando reparação e contestando formalmente a decisão da Comunicação do Senado. Este movimento sinaliza um aprofundamento do embate entre o parlamentar e a estrutura de comunicação da Casa.
A denúncia de censura feita pelo senador Eduardo Girão levanta questões importantes sobre a imparcialidade e os critérios de transmissão da Comunicação do Senado. Enquanto a emissora se apoia na distinção entre atividades legislativas e político-partidárias, o parlamentar vê na não exibição de sua coletiva um ato de silenciamento. O desdobramento deste caso, especialmente com a prometida ação judicial, será acompanhado de perto, podendo influenciar o debate sobre a autonomia da mídia pública e a liberdade de expressão no ambiente legislativo brasileiro.

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